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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Analisando- Soul Eater NOT: O divisor de opiniões

Explorando o universo original de uma forma polêmica

Por MIKA

Quando foi anunciado que o spin-off do mangá Soul Eater (que inclusive é escrito e ilustrado pelo próprio autor da série original, Atsushi Ohkubo) iria ganhar um anime, houve controvérsias: Muitos dos que não conheciam o spin-off esperavam uma história similar ao de Soul Eater. Para os fãs mais hadcores, que esperavam o retorno do anime original, a notícia lhes pareceu uma total decepção. Já para os mais leves foi uma “festa”, querendo logo conferir a novidade. E quando ele chegou, enfim veio a reação geral: Os hadcores xingaram, dizendo que fugia bastante do original, chegando ao cúmulo de dizerem que aquele anime era uma ofensa a Soul Eater, visto que carrega o nome do mesmo. Outros já afirmaram o contrário, que era um anime muito bom, que fazia jus ao original e, chegou a um nível, que afirmaram inclusive que é o melhor anime de 2014! Já os fãs menos informados, ao verem o primeiro episódio sendo postado, acharam que se tratava de uma segunda temporada, algo que nos primeiros minutos logo se mostrou um equívoco. 
Que Soul Eater Not carrega uma responsabilidade grande nas costas, isso é fato, uma vez que ele deriva de um dos animes mais populares da cultura otaku (junto de Death Note, One Piece, Naruto e outros). Agora, após seu fim, fica a duvida: Afinal, ele é um bom anime ou não? Vale ou não a pena assistir? E é essa pergunta que vou tentar responder em relação a ele. Já fiz minhas primeiras impressões antes, mas será que minha opinião mudou em relação a alguma coisa? Vale lembrar que este texto vai mais por minha opinião, por isso podem me criticar nos comentários e dizer sua opinião sobre o anime em questão.
A história
A história fala de Harudori Tsugumi, 14 anos, uma nova aluna na Shibusen, que, antes de viver seu sonho de ser famosa precisa arranjar um parceiro e sobreviver aos métodos de ensino do Shinigami-Sama (ou, Deus da Morte). Ela é uma arma, e dentro da estranha escola, conhece Meme e Anya e, olha só quem, Maka, a heroína de Soul Eater! Como ela vai se virar naquele lugar?
Considerações Técnicas
Eu já vou avisando que vou tentar durante a análise não fazer tantas comparações a Soul Eater. Enquanto eu olhava os comentários no final de episódios, os que adoraram o anime respondia para os que estavam reclamando: “Isso daí é um Spin-off, não tem nada a ver como o original!”. Claro que tinha aqueles que ainda achavam que era segunda temporada ou tinham argumentos absurdos, mas eu quero deixar claro que não pretendo analisar como derivado, mas sim como anime mesmo, como ele se saiu sem precisar depender tanto do “pai”. Por isso, não vá lendo uns 4 parágrafos e já ir comentando “Ai esse Mika tá sendo idiota por querer compara duas séries que nada tem a ver a não ser o universos. Soul Eater NOT é diferente do original, nada a ver o que ele fala”. Sim, sei que são diferentes, e não pretendo dizer qual é melhor. Apenas quero ver como o NOT se saiu, e foda-se se é spin-off. As comparações são apenas para exemplificar alguns pontos, mas assim como fiz em Kill la Kill, não tentarei trazer muito das obras anteriores.
 Começando pelo trio de personagens Tsugumi, Meme e Anya. Nenhuma delas é carismática o suficiente para você se importar. No máximo a Meme, que só por causa de sua amnésia já dá certo alívio cômico que é bem “passageiro”, chegando a alguns momentos a irritar. Anya não conseguiu convencer em nada com seu jeito de “riquinha patricinha”, parecendo até mesmo a soar falsa a sua expressão. Por fim Tsugumi conseguiu ser uma das piores protagonistas que tive o prazer de conhecer. Claro que ela é melhor que certos Kojous de STB, mas ainda lhe falta o “sal” para poder conquistar o grande público, sendo uma personagem bem irritante. Ela pode se caracterizar como uma personagem bastante indecisa, e que segue a linha do “protagonismo geral”, aonde nunca fará nada de errado, e sem nem perguntar, vai ajudar os outros. Típico de qualquer protagonista clichê, sem nenhuma novidade.
E os outros personagens? Eles são um verdadeiro caos. Você fica a espera de algo, mas o que mais vemos são personalidades fracas e não tão interessantes. Somente nos últimos episódios que Akane e Clay revelaram seu verdadeiro lado (que não vou falar qual é) e mesmo assim pouco me importei quanto a isso. Vocês podem até se importado, mas mesmo que tenha sido uma revelação não achei aquilo tão surpreendente. Talvez seja pelo fato que nenhum mistério foi desenvolvido diante deles, já que foi posto logo na nossa cara que os dois eram simples estudantes da classe NOT (sim, o NOT não é de “Não”, mas sim de Normally Overcome Target). Mesmo eles sendo os alunos a qual Sid confia missões importantes, ainda sim não passa com força a imagem de que eles são especiais, simplesmente que eles são os mais fortes ali e que são os “espiões” de Sid. Já os demais, nem vou comentar, preferiria que nem existissem.
Talvez os personagens que possam agradar a grande maioria sejam apenas os de Soul Eater, que fazem aparições durante os episódios. Maka, Soul, Black Star, Death the Kid, Liz e Patty, Doutor Stein... Ah, uma coisa: O Shinigami-sama não aparece em nenhum dos episódios do anime, só aquela máscara dele. Ou seja, se você pensa em assistir apenas para vê-lo, sinto em lhe informar que nada vai adiantar. Aliás, um ponto positivo que achei no anime é que aqui é mostrado mais o desenvolvimento das irmãs Thompson antes de se tornarem parceiras do Kid. Eu poderia falar sobe como foi contada o início da parceria de Kim e Jacqueline, duas personagens do original, mas achei meio ridículo.  Ah, e o oposto da classe NOT é a classe EAT (Especially Advantaged Talent) que é a classe da qual Maka, Soul e os demais fazem parte.
Sendo um “slice of life com elementos de Soul Eater”, a trama pode decepcionar muitos que esperam lutas fodidas como em Soul Eater. Tem até umas lutas, mas elas são raras nestes 12 episódios. A luta contra a vilã Shaula se resolve em poucos minutos, sendo que o trio principal usa o “poder do protagonismo clichê” somado a um Deus Ex Machina para vencê-la, sendo que ela era pra ser, segundo o roteiro, uma das bruxas mais poderosas que existe. Não é explicado em nenhum momento de onde vem esse poder, muito menos o motivo delas conseguirem evocá-lo. O mais incrível é que mesmo conseguindo a alma da bruxa, elas continuam na classe NOT, a classe em treinamento. Por que não mudaram se já demonstravam talento para serem da EAT, a classe dos artesões? Vai saber. Ou ainda: Tsugumi é uma arma que vira um tipo machado com lança. Beleza, isso é aceitável, visto que a Tsubaki vira um monte de armas. Mas e quando ela consegue criar asas e Anya e Meme a usam para voar, como se fosse uma vassoura de bruxa? Como ela consegue criar asas, nem mesmo as outras armas fazem isso? É a coisa mais ridícula que eu já vi. Além disso, como já mencionei, só tem “slice of life” com comédia, que é bem forçada. Eles tentam contar o dia-a-dia das garotas enchendo a tela de humor desnecessário com insinuações yuri, fazendo com que NOT não se diferencie de outros animes do gênero como K-On ou Lucky Star. Sei que tem público para esses tipos de anime, mas a trama acabou por se perder muito. Tentam inserir drama no meio, e mesmo a história da Liz e da Patty tenha sido legal, o drama não é tão convincente.
 Aliás, nas minhas impressões, eu disse que eles iriam explorar mais o universo de Soul Eater, apresentando elementos ainda desconhecidos para nós (ou que foram apresentados na série principal, mas não foram desenvolvidos como deveriam). Pois é, eu me enganei. Mesmo tendo nos mostrado o sistema da escola, ainda foi uma explicação bem rasa, e no fim ficou na mesma. Pô, eles podiam ter explorado o mundo ali, ter mostrado mais coisas, mas ficou tudo resumido a explicações rasas e situações que se resolviam rapidamente, sem trazer algum teor de novidade. Aliás, devo destacar o episódio 09, que é uma coletiva de histórias pequenas envolvendo as personagens, bem “slice of life”. Só que nos episódios anteriores, um incidente ocorreu, e mesmo que a amiga delas tenha saído ilesa, ninguém ali ficou preocupada ou questionou algo sobre aquilo, preferiram simplesmente esquecer (só Sid, Clay e Akane estavam tentando saber a verdade). E para piorar, tentaram preencher tudo com um humor bem idiota, com situações bastante desnecessárias a trama.


A boa é que o ecchi aqui não é tão constante, como em Soul Eater ou em outros animes que tem saído estes últimos anos, mas a forma como tudo se arrasta, começando de uma forma lenta e depois correndo com tudo acaba soando meio falsa. O ponto que eu achei que fizeram de forma boa foi o shoujo-ai que depois virou yuri no último episódio. Fora isso, mais nada...
A animação é bem simples, colorida e brilhante. É, colorida e brilhante. Se você espera o mesmo clima sombrio de Soul Eater, esquece! Tudo aqui é “bonitinho” e bem “moe”. Não sei se foi iniciativa do próprio autor, mas os personagens estão todos como personagens daqueles animes bem “moe” mesmo. Fato que o traço dele evoluiu muito, daquele traço feio e brusco que tinha no início para algo mais bonito e bem ajeitado, mas ainda sim achei essa decisão de deixar tudo moe foi meio ridícula. Não estou falando por aqueles que viram o anime original (que adaptou o traço inicial de Atsushi Ohkubo, com algumas melhorias) mas por que achei que fugiu um pouco do mangá original, e ficou com a mesma cara de outros animes do gênero. O traço único de Ohkubo não existe no anime, só um traço comum e sem graça. Eu li alguns capítulos do NOT e ali até que certa emoção se consegue passar, mas no anime não é o mesmo. A adaptação é bem falha.
A dublagem tem seus altos e baixos. A iniciativa de trazer os dubladores originais, eu até que curti. Saori Hayami (a Ikaros de Sora no Otoshimono) como Anya combinou, e gostei da atuação de Aoi Yuuki (Madoka de Madoka Magica) como Meme. Só que a novata Haruka Chigusa como Tsugumi não conseguiu transmitir emoção para uma personagem que isso já não fazia. A voz dela achei bem irritante, e não está no mesmo nível “profissional” de suas companheiras. Um erro colocarem como protagonista uma novata que mal entrou para este ramo e ainda está aprendendo a dublar. Na parte técnica tivemos Masakazu Hashimoto (Tari Tari) na direção e nos roteiros, Satoshi Koike (Symphogear) cuidando do character design e da direção de animação, Toru Fukushi (Reboot de Evangelion) na direção de fotografia, além da dupla Asami Tachibana (Robotics;Notes) e Yuuki Hayashi (Blood Lad) cuidando da trilha sonora, tudo produzido pelo estúdio BONES (o mesmo de Fullmetal Alchemist, Soul Eater, Noragami, No. 6 e Gosick) que segundo Atsushi Ohkubo, se esforçou bastante para realizar uma boa série (também, depois de pisarem feio na bola com aquela segunda metade de Soul Eater no anime, só fazendo algo decente pra se desculpar mesmo). A abertura e o encerramento até que são bonitinhas, mas não compensa a confusão que fizeram na trama.
Comentários Gerais
Soul Eater NOT possui muitas falhas: Personagens sem graça, histórias que se contradizem, um desenvolvimento péssimo, soluções retiradas do nada, um humor forçado e um péssimo desenvolvimento. A adaptação é bem fraca se comparada com o mangá. Sobre a recomendação, eu digo que isso vai pelo gosto. Se você é fã de Soul Eater ou não tá nem aí para a trama original, e quer acompanhar essa história, recomendo que peguem o mangá e esqueçam o anime, pois ali a experiência será melhor. Agora, se você não gosta de slice of life ou acha desnecessário um spin-off, de boa, pode passar longe.
 Podemos facilmente dizer que NOT é a linha tênue entre o overrated e o overhated. Amado demais por uns, odiado demais por outros. Não há motivos para nenhuma das duas partes em questão, sejamos sinceros. O anime atende as expectativas de alguns e decepcionou outros, algo extremamente normal. O assustador foi a velocidade que um mangá de apenas 3 volumes foi lançado em anime.

O autor já declarou que o mangá acaba no volume 5, que ainda será lançado, mas ele disse que teria todos os capítulos prontos até Junho.  Como faz tempo que não leio o mangá, não sei se isso se concretizou, mas ao que deu pra entender tudo já está nas mãos do BONES, que deveria cobrir o mangá por completo em sua animação. O curioso é que o autor diz que gostaria que as pessoas acompanhassem o climax da série justamente no anime e que por isso não gostaria que pegassem spoilers no mangá! Bizarro, não? Pois se isso realmente ocorreu, então não seria a primeira vez. Vale lembrar que Hiromu Arakawa havia entregado também o roteiro final de Fullmetal Alchemist para que “Brotherhood” terminasse exatamente com a mesma história – tanto que terminaram na mesma semana. Mas o final do anime, para quem viu, não foi nada demais. Será que o próprio autor teria pisado na bola? Não é a primeira vez que isso ocorre, visto Tite Kubo (autor de Bleach) e Matsuri Hino (autora de Vampire Knight) que escorregaram feio em seus próprios mangás (principalmente esta última, que conseguiu entregar um péssimo final para Vampire Knight). Resta saber se a JBC (que publica o mangá de Soul Eater no Brasil) se animaria em trazer seu spin-off.
Ah, e só para deixar de bônus, encerrando com o original Soul Eater. Já que citei tanto ele neste post, tenho de pelo menos dar os créditos.
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