Translate

sábado, 14 de junho de 2014

Analisando- Aprenda como estragar uma boa ideia com Strike the Blood

Isso é, se a ideia era boa

Por MIKA

O anime da analise de hoje, confesso que eu não estava com saco pra fazer analise, mas me sentir obrigado a faze-la. Não porque me pediram, mas é porque tem um amigo que não vou citar o nome que está em duvida se assiste esse anime ou não. Decidi carinhosamente fazer esta analise para ele ver que tipo de anime ele está encarando. Enfim, o anime se chama Strike the Blood, e eu diria que é um sinônimo para “desperdício de ideias boas”. É um anime de outubro de 2013, e eu devia fazer a análise logo quando acabou, em março, mas acabou que não estava com vontade. Desta vez foi! Afinal, o que deu errado para STB?  O que ele tinha para dar certo, mas não deu? 
Eu critiquei bastante STB pelas redes sociais. No começo até tinha gostado, mas com o passar dos episódios comecei a perceber algumas coisas erradas. Nunca cheguei a fazer um texto sobre ele mas agora chegou a hora de desabafar! Podem me xingar e criar comunidade no Orkut ou no Facebook me xingando. Ah, e para ser justo, eu assisti o anime de novo em uma madrugada, somente para ver se minha opinião mudou em relação a alguma coisa. Será que isso ocorreu? Enfim, vamos para a tortura analise.
A história
O Quarto Primogênito – O vampiro mais poderoso do mundo que deveria existir apenas em lendas surge no Japão espalhando calamidades junto de 12 Kenjuu. Para observar e obliterar esse Quarto Primogênito, a organização Lion King envia um agente intitulado “Shaman Espadachim”. No entanto, por alguma razão, a escolhida para missão acaba sendo Himegari Yukina, apenas uma aprendiza na arte da Espada Shaman que agora terá que enfrentar o poderoso vampiro. Acontece que tal vampiro passou seus poderes para um estudante de 16 anos chamado Akatsuki Koujo, que luta para tentar ter uma vida normal. O que acontecera com Koujou e Yukina em relação a esta situação?
Considerações Técnicas
Eu já vou começar dizendo que realmente não gosto de Strike the Blood e esse post é a minha opinião sobre o anime. Agora, me respondam uma coisa: Vocês conseguem ver todo o potencial que esse anime tem só lendo essa sinopse? Tá, não é uma ideia totalmente nova, já vimos esse tipo de coisa em vários animes de vampiros. Mesmo assim convenhamos que é uma ideia que empolga. Mas STB não consegue explorar esse ótimo plot e nem chega perto disso. Mas para vocês entenderem vai ter de ser aos poucos. Irei pelo ritual padrão, falando primeiro dos personagens.
 O protagonista Akatsuki Koujou deveria ser o cara mais forte do anime, uma vez que ele é o Quarto Primogênito, o vampiro fuck yeah segundo a história. E de fato ele tem uns poderes que o fariam forte, o cara consegue invocar uns espíritos como se fosse um Feiticeiro Celestial. É uma pena que quase não vemos o quão destruidor os poderes podem ser... Na maior parte do anime, o vampiro só dá uns golpes no adversário, porém quem finaliza a luta e salva todo mundo é a Yukina. Só uma ou duas vezes ele conseguia vencer, mas aí ele sempre tinha ajuda da Yukina. Ou seja, o cara passa quase do anime inteiro sendo apenas um simples suporte para a garota, quase que sem fazer nada e ficar só assistindo enquanto ela dá uma surra no adversário. Neste caso, do que adiantava beber o sangue das gurias para ganhar poder, sendo que ele quase não usava? Tá bom que protagonistas fortes já são tão clichês que já enche o saco, mas poxa, ele tem esse poder e não faz nada? Pode isso produção? Fora que ele é o maior banana que já conheci, ele parece agir feito um sonso em determinados momentos. Com certeza, Koujou foi um dos piores protagonistas de animes que já conheci.
Yukina Himeragi seria a garota principal do anime, poderia cumprir um papel semelhante ao da Rukia em Bleach (até o cabelo é meio parecido). Só que na maior parte das vezes, ela acaba sendo a protagonista, sempre é quem derrota o inimigo, enquanto Koujou dava o suporte. Me pergunto se não era isso mesmo, ela ser a protagonista, mas tem certo fato que me faz pensar se estou errado em relação a esta afirmação, mas mais pra frente eu explico que fato é esse. De qualquer forma, a Yukina é uma personagem mediana, até gosto dela, ela consegue cativar em alguns momentos e ser bem divertida. Em outros ela irrita. Aliás, é entre ela e Koujou que acontece um específico momento irritante:
“Le eles enfrentando inimigo:
Koujou: Irei te derrotar! Essa é minha luta!
Yukina: Não, senpai. Está é nossa luta!”
PELO AMOR DE DEUS, QUE COISA MAIS CHATA!!!! EM TODO SANTO EPISÓDIO ELES REPETIAM ISSO, JÁ TAVA ENCHENDO O SACO!!! E SE ERA A LUTA DELES, POR QUE NA MAIORIA DAS VEZES A YUKINA LUTAVA SOZINHA E O KOUJOU FICAVA SÓ OLHANDO????
A Asagi Aiba era uma garota que, pelo que vi na maioria dos comentários em episódios, é a favorita do grande público. Todo mundo adorava ela, mais do que a Yukina. No fim, a Asagi conseguiu cumprir seu papel até o fim: Ser a “amiga do protagonista secretamente apaixonada por ele e que nunca fica sabendo da verdade”. Mas ela pelo menos fazia mais coisas que o Kojou, ela era uma espécie de hacker muito inteligente. Seu único ponto fraco foi se apaixonar por um babaca feito o Koujou...
Outra personagem era a Kirasaka Sayaka, que era uma personagem até que divertida, só que ela também irritava em alguns momentos. Ela até tinha sua utilidade na trama, mas no geral ela acabou sendo só mais uma garota apaixonada pelo protagonista... Ah, e era ela quem pagava de “gostosa peituda do anime” (junto da La Folia).
A personagem que mais gostei era a Minamiya Natsuki, uma professora baixinha que sempre se vestia de Gothic Lolita, porém era uma maga bem poderosa, e mesmo com seu jeito sério era divertida. Eu acho ela o melhor personagem de STB, porém ela não teve tanto destaque quanto merecia, somente no arco do Labirinto da Bruxa Azul que ela acabou sendo o centro de tudo. Na boa, somente por ela e pela Yukina eu continuei este anime.
Não vou falar de todos pois STB tem uma incrível gama de personagens. São muitos mesmo! Mas grande parte desses personagens são dispensáveis, como Nagisa, a irmã do Koujou. Tem um ou outro que ainda servia para alguma coisa como a Kanon Kanase. Mas no geral, os personagens secundários apareciam em uma saga e depois não apareciam mais. E alguns deles era justamente personagens que poderiam ter uma importância maior, poderiam ser fixos, mas nada disso acontece. É um desperdício total de personagens, que eu me pergunto qual a necessidade de ter criado alguns deles.
Ah, vou dar destaque para um personagem que só agora me lembrei dele. É um cara que usa uma espécie de fones para voar, algo assim. O cara aparece de vez em quando, e o anime tenta passar a falsa imagem de sua importância, mas no geral ele aparecia fazendo alguma coisa que aparentemente teria importância na trama, depois ele sumia. Tamanha falta de importância dele que nem sei qual o nome dele, só sei que era amigo da Asagi e do Koujou. Nem no último episódio ele aparece direito. Se o cara tinha importância, então afirmo que ela foi totalmente desperdiçada.
Agora a trama do anime. Posso afirmar uma coisa: Os 8 primeiros episódios você vai amar. Ali, tudo é novo, temos batalhas frenéticas, tem uma boa apresentação de personagens, poderes pra tudo quanto é lado. Um romance entre Kojou e Yukina (seria facilmente resolvido o caso da Asagi), era uma coisa bem legal. Ali, muitos afirmaram ser o seu anime favorito, e como eu disse no início, eu também achei muito legal. A partir do finalzinho do 8 e seguindo do 9 em diante, as coisas mudam. Isso por causa de dois problemas específicos. Vou começar a falar de um que poucos criticaram: Em STB, a trama funciona num sistema de arcos, ou seja, a história se divide e “aventuras menores’’, e em cada aventura aparece um personagem diferente e um boss diferente para a dupla de protagonistas enfrentarem. Algo parecido com o que ocorre em One Piece e Fairy Tail. Com um diferencial: Enquanto em OP e FT os arcos tem certa ligação e vemos a evolução dos personagens, em STB isso não ocorre. Um personagem, seja boss ou secundário, aparece em um arco, e no arco seguinte ele não aparece mais (só a La Folia é exceção, ela aparece em dois arcos). E várias coisas que acontecem em determinado arco não surtem efeito no arco seguinte, como ocorre em FT e OP. No arco seguinte, parece até que os personagens se esqueceram do que ocorreu anteriormente, ficando com a imagem que perderam a memória. E sobre a evolução: Só em poderes, e somente Kojou ganha novos poderes (que nem chega a usar), mas no resto ele continuou o mesmo. Esse sistema de arcos mal utilizado pode se tornar bem cansativo e chato, pois no fim cada arco acaba sendo “mais do mesmo”. Com o diálogo entre Yukina e Kojou que citei acima, a sensação de deja vú aumenta mais. Aliás, a qualidade dos arcos decaí conforme a história: Se no início os arcos eram legais, com o decorrer dos episódios eles acabam sendo muito chatos e sem nenhuma novidade, como é o caso do arco do Alquimista, que pra mim os caras tentaram remendar coisas de Fullmetal Alchemist com STB, e saí algo bem dispensável.
 O outro problema, estes muitos xingaram: No meio da trama tentam inserir um harém. Jovens, lembram quando falei que a Yukina poderia ser a protagonista, mas logo em seguida eu descartava esta ideia? Pois é, o motivo é pela existência deste harém. São poucos os animes que conseguiram obter sucesso em sua mistura de shonen de porrada com harém, um dos poucos que conseguiu dar certo e que eu recomendo é Date A Live (ainda faço análise). No caso de STB, o harém pareceu-me algo forçado: No início era só a Yukina e a Asagi, mas a Yukina é claro é quem no final todo mundo já imagina que iria ficar com o Kojou, e o caso da Asagi seria resolvido de outra forma. Mas aí entra Kanon, Sayaka, La Folia, Yuuma e mais outras garotas, e se tem um harém formado. Isso estragou cerca de 97% do anime. O foco que era a ação acabou sendo mudado para um harém chato pra caramba, com cenas ecchi e tudo mais. Toda a ação que o anime poderia proporcionar, todo o enredo que poderia se desenvolver melhor, e todas as lutas que poderiam ser épicas, tudo, é substituído por cenas de harém que tentam dar um ar de comédia romântica a um anime que tecnicamente não foi feito para tal. As cenas do harém, eles tentaram fazer com que fossem engraçadas, mas o humor acabou sendo algo bem forçado, que você pensa “É pra rir ou pra chorar?”.

Por causa deste harém, personagens interessantes e com fama de “certinhos” como a Asagi, por exemplo, tomam atitudes bem ousadas negativamente, como se despir na frente do protagonista. Aliás, Kojou ficou ainda mais com cara de banana, pois várias garotas o beijam no decorrer do anime, e ele não toma nenhuma atitude, dando a impressão que ele quer manter este harém ou que ele é um burrão mesmo. A sacanagem é tanta que em determinado momento do anime você se pergunta o que diabos está acontecendo com os personages. Fora que com o ecchi, STB acabou sendo só mais um “anime ecchi de ação” no melhor estilo Highschool DXD ou Mushibugyou. E o pior é que o harém em nada ajuda na história, só piora. É uma bola de neve gigante.
A animação é a única coisa que se salva, ela é muito boa, os movimentos das personagens fluem bem, as cores são boas, o HD funciona bem e o 3D é bem utilizado. Porém, algumas coisas ali me passou uma sensação de serem tiradas de Toaru Majutsu no Index, mas isso não atrapalha a animação. Se levarmos em conta que STB é um dos animes mais caros desenvolvidos pelo estúdio Silver Link (o mesmo de Tasogare Otome x Amnesia, Baka to Test to Shōkanjū e Kokoro Connect) em parceria de um pequeno estúdio chamado CONNECT, o negócio devia de ser algo bem ambicioso que na cabeça dos caras seria “Vamos fazer o anime mais bonito que existe, foda-se quanto dinheiro gastarmos, pois logo teremos retorno”. É, eles não pouparam grana não. O preço eu não sei quanto foi, mas sei que STB foi o anime com o maior  custo que tivemos em 2013. E podemos ver na tela cada centavo (no caso iene) gasto para essa produção. Mas do que adianta o anime ser bonito quando a história não rendeu? Apesar do character design de Keiichi Sano (o mesmo de Heaven’s Memo Pad) ser lindo e a trilha sonora comandada por Magic Capsule (o mesmo de Suisei no Gargantia) ser boa, com direito a músicas da Altima e do Kishida Kyodan e The Akeboshi Rockets (banda que ficou famosa por causa do seu tema de abertura para Highschool of the Dead), nada disso adiantou quando a direção de Hideyo Yamamoto (de The New Prince of Tenis) foi incompetente e os roteiros de Hiroyuki Yoshino (o mesmo de Guilty Crown, não confundir o roteirista com o dublador de mesmo nome) foram confusos.
 A dublagem é boa. Tivemos vários dubladores conhecidos do grande público: Yoshimasa Hosoya (Arata de Chihayafuru) como Kojou; Risa Taneda (Mirai de Kyoukai no Kanata) como Yukina; Asami Seto (Chihaya de Chihayafuru) como Asagi; Ikumi Hayama (Yuki de Shiki) como Sayaka e Hisako Kanemoto (a Yui de Kokoro Connect) como Natsuki. Achei o esforço deles louvável, as vozes combinaram bem, entusiasma bastante. Mas nada disso vale diante do anime que é STB...
Comentários Gerais
Strike the Blood tinha tudo para ser um dos melhores animes de 2013, mas acabou jogando tudo isso fora. Ele acabou seguindo pelo caminho errado, e deu nisso: Personagens chatos, um protagonista babaca, um harém desnecessário, um humor forçado, uma história mal contada e um universo que seria interessante de ser explorado só que fizeram isso da maneira INCORRETA. A forma como ele se desenvolveu e onde acabou resultou em uma ideia desperdiçada. Voltando a pergunta que fiz antes de começar a analise, podemos afirmar que pela sinopse vemos um potencial e uma história boa, mas quem assiste, ou seja, vai mais ao fundo, verá que não é nada disso. STB tinha potencial, pelo menos nos primeiros episódios, mas depois disso tudo é jogado fora, uma ideia que seria boa acaba sendo desperdiçada. Falando em outras palavras, a ideia que é boa em si só acabou sendo usado no anime errado, o que é uma pena.
O anime se baseia em uma light novel de Gakuto Mukudo e Manyaco, publicada pela editora ASCII Media Works, na revista Dengeki Bunko Magazine, especializada na publicação de light novels. A revista é o lar de séries famosas como Baccano, Durarara!!, Kino no Tabi, , Sword Art Online e outras – todas que acabaram gerando um anime, por sinal. A novel conta atualmente com 10 volumes publicados e o autor lança em média 4 volumes por ano, e pelo que sei o anime adaptou 6 volumes da novel.
STB com certeza foi um dos piores animes que vi em minha vida, botei fé para que ainda melhorasse, mas só piorava. STB acabou por se tornar mais um anime esquecível. Eu com certeza não recomendo este anime, vai ser uma perda total de tempo. Só recomendaria até o episódio 8, pois até ali o anime ainda tem um potencial. E, como o final acaba sendo idêntico ao final de todos os outros arcos, acho que considerar o 8 como o último é o mínimo. Se você quiser seguir do 9 em diante, aviso que não vai valer nada. O tempo que você vai desperdiçar vendo esse anime poderia ser usado para ver produções melhores como Magi e Durarara.
 Uma coisa que não me conformo é que esse anime vendeu (as vendas da novel não estavam muito boas antes da chegada do anime, que deu boost nas vendas, cumprindo seu papel principal), enquanto animes bons como Kyoukai no Kanata acabaram não vendendo quase nada, sendo que no caso de Kyoukai no Kanata, foi um episódio filler (o episódio 7) que fez com que muitos chiassem e não quisessem comprar os BDs e DVDs do anime. Acho isso muita birra dos japoneses, só por causa de um episódio, e não entendo direito o gosto deles. Se vai ter segunda temporada? Provavelmente. Mesmo tendo custado caro ao Silver Link e ao CONNECT, graças as vendas acredito que logo irão adaptar o resto da novel para a TV ou ainda em formato de OVAs. Levando em consideração o número de volumes da novel, acredito que uma segunda temporada seria possível somente ano que vem. Eu não irei assistir.
Por MIKA
Postar um comentário