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terça-feira, 1 de julho de 2014

Analisando- Gokukoku no Brynhildr: O Elfen Lied “Light” (?)

Lynn Okamoto e sua pornografia misturada a violência!

Por MIKA

Quem aí for do final da geração passada de otakus deve se lembrar de que em meados do início dos anos 2000, em um tempo aonde a Internet ainda era limitada, um anime diferente do que jamais se viu chegava às telas japonesas. Aquilo, podemos dizer, causou repúdios e ataques de nojo para alguns e diversão e encantamento para outros. Era um anime com uma temática totalmente nova, quer dizer, não tão nova, pois o gênero de horror e pornô-horror já existia. Mas a forma como o anime tratou chegou a marcar (e traumatizar) a muitos. Uma certa chifruda de cabelos e olhos rosas, exibindo toda sua nudez e sanidade, virou hoje uma referência para muitos, aonde sempre vemos cosplays, DVDs, chaveiros, action figures... Sim, é exatamente dela que estou falando: Lucy ou Nyu, a garota psicopata com quem eu me identifico do famoso mangá Elfen Lied. Em algum momento da sua vida você deve ter ouvido falar desse anime. Beleza, mas por que eu estou falando de Elfen Lied? Anos após o fim do anime, eis que chega outro anime que, adivinha só, é do mesmo autor do mangá da chifruda, nosso querido e psicótico Lynn Okamoto. Trata-se de Gokukoku no Brynhildr (que eu sei que é um nome difícil pra caralho de se pronunciar) e que segue a mesma temática do seu “irmão mais velho superstar”. 
Podemos afirmar que só de carregar o estigma do Elfen Lied, as pessoas poderiam esperar de Gokukoku muita violência e nudez, como Okamoto sabe fazer. Mas até que ponto Gokukoku consegue ser igual ao seu antecessor? Eu já dei minhas primeiras impressões antes. Será que elas mudaram? Vale lembrar que este texto vai mais por minha opinião, por isso podem me criticar nos comentários e dizer sua opinião sobre o anime em questão. Então, recomendo que para este post você não tenha comido nada nos minutos anteriores, isto se você quiser manchar a tela do seu PC de vômito, como na qual fez enquanto assistia ao filme do Exorcista (tô ligado que uma penca que está lendo este post deve ter visto). Quem assistiu Elfen Lied vai sabe do que estou falando. Tá, sem exageros. Mas enfim, vamos nessa!
A história
Quando era uma criança, Ryota Murakami estava apaixonado por uma garota misteriosa que ele apelidou de Kuroneko. Ela adorava insistir que conhecia alienígenas e que até mesmo já tinha se encontrado com eles, mas ninguém acreditava nela, até mesmo Murakami.  Um dia ela decide mostrar os alienígenas para ele, mas um grave acidente acontece e Kuroneko acaba morrendo. Anos se passam e Murakami está obcecado para achar a prova da existência dos aliens por causa da promessa que ele fez com a garota. Até que um dia uma aluna transferida aparece em sua classe e não só ela é parecida com a Kuroneko, como seu nome é Kuroha Neko! Ela insiste dizendo que nunca se encontrou com Murakami antes, mas ele acaba descobrindo que ela possui uma super-força e que pode até prever o futuro! Após alguns eventos, Murakami descobre que Kuroha e outras garotas que possuem dispositivos na nuca são, nada mais nada menos, que bruxas que estão fugindo de um laboratório que parece estar pesquisando algo sinistro envolvendo aliens! Qual será a relação dessa misteriosa garota com o passado de Murakami? Que relação bruxas e aliens teriam?!
Considerações Técnicas
Pela sinopse, eu não tenho dúvidas em afirmar que desta vez Lynn Okamoto viajou legal (aposto que na hora de criar a história, devia estar fumando maconha e lendo mangás pornôs. Brinks xD). É meio estranho pensar em juntar magia com tecnologia. Claro que em Toaru Majutsu no Index e no recente Mahouka Koukou no Rettousei temos essa combinação, beleza eu sei, mas aqui o caso é diferente. Porra, temos aliens no meio! É Alien vs Bruxa literalmente! É meio estranho se pensarmos que ali temos magia que é relacionada com vida fora do planeta. Mas olhando por outro ângulo, na Marvel e na DC já era comum há muito tempo existirem seres alienígenas no mesmo contexto que seres mágicos. E em outro anime já tivemos uma presença alienígena com magia, que aviso que vai ser um baita dum spoiler, quem não quiser saber, pule essa parte: [SPOILER] O anime é Puella Magi Madoka Magica. Tal presença alienígena é do Kyuubei, cuja raça veio a Terra a vários anos e ajudaram na evolução dos humanos, mas em troca querem gerar energia para o Universo, por isso transformam garotas em mahou shoujos. [FIM DO SPOILER]. Enfim, só pela ideia, memso que bizarra, ainda é algo bem interessante. Mas vamos saber como que se saiu o anime. Começando pelos personagens. E, como eu disse na análise do Kill la Kill e do Golden Time, independente do autor, a obra não tem personagens da obra anterior. Não tem Lucy/Nyu, não tem Nana, não tem Kouta... Esqueça Elfen Lied, Gokukoku é outra coisa bem diferente, mesmo tendo a mesma pegada de violência e pornografia, só que no meio termo (isso eu já explico já, já).
 O protagonista Ryouta é o cara racional que vem sempre com aquele papo clichê de “eu vou salvar todo mundo, não importa como ou se a situação é pior do que imaginávamos, mas eu vou salvar”. Típico de protagonista. Mas no gerar, Ryouta só se ferra o anime inteiro, e sempre acaba na pior, mesmo que o final da situação tenha sido positivo. Aliás, memo sendo o “cara racional” ele não percebe bem os sentimentos das garotas por ele. Já Kuroha Neko cumpriu bem seu papel como garota principal. Ela é meio “mosca-morta” e é meio ingênua, algumas vezes até demais, e isso pode te irritar alguns momentos. No geral, ela e Ryouta formaram uma boa dupla de protagonistas.
Kana é a “Mãe-Diná” do anime, é ela quem prevê alguns dos acontecimentos do anime. Ela é um corpo que não move nem os olhos ou a boca, muito menos os braços ou as pernas, por isso só pode se alimentar de comidas líquidas e se comunica através de um aparelho estranho que transmite sua voz quando ela digita. No geral, ela fica meio sem expressão, e age na maioria das vezes como se quisesse apenas proteger Kuroha e mais ninguém. Ela é uma personagem gostável, mesmo eu ela não tenha tanto impacto a não ser no último episódio.
Kotori é a “gata-super-peituda” que aparece no anime. É aquela tímida que muitas vezes é chata pra burro. Não curti muito ela.
 Devo dizer que minha favorita foi Kazumi. Ela era uma garota tábua e virgem que falava coisas pervertidas e queria, literalmente, estuprar o coitado do Ryouta! Vixe... O legal é quando ela sempre dava um chute na cara dele toda vez que ele falava sobre os seios pequenos dela, era algo bem divertido...
Por fim, temos os vilões. Chisato é o cara sem emoções que faz as maldades que faz e que se foda o mundo, e Mako/Valkyria era a bruxa burra e sádica que por amor seguia Chisato mesmo sem ele retribuí-lo (ela tinha um motivo no anime, que não irei revelar). Ela era doida mesmo, ela ria com a morte dos outros, matava sem pestanejar, e ainda [SPOILER] quando Chisato morreu, ela chorou para logo em seguida começar a rir feito uma louca, para logo em seguida querer simplesmente matar todo mundo [FIM DO SPOILER]... Vixe, mano, essa garota é tão psicótica e perigosa quanto a Lucy/Nyu ou aquela psicopata do CSI que era fascinada por maquetes e matava quem tinha alvejante em casa...
Não vou falar de todos os personagens, pois não dá. E agora irei para trama. Bom, uma coisa vou lhes falar: Pra quem espera sangue jorrando pra todo lado e peitos à mostra o tempo todo, devo avisar-lhes: Gokukoku é menos violento e pornográfico que Elfen Lied. O anime em si censura partes do mangá, ou seja, quem achou que ia ver aqui o mesmo “calor” do Elfen Lied, viu que não é nada disso...
 O enredo todo do anime é um resumo do mangá. Capítulos foram pulados, cenas foram alteradas ou retiradas, diálogos encurtados. O anime resumiu 100 capítulos em apenas 13 episódios. Isso é um pouco ruim, pois a história acabou ficando mal explicada. Muitos eventos que no mangá são fodas, o anime faz parecerem coisas simples. O enredo ao todo tem um pouco de humor no meio misturado com o terror, e mesmo algumas piadas serem no mínimo engraçadinhas, pra quem espera um nível de trama tão grande quanto o do Elfen Lied, vai acabar rachando a cara.
E o episódio final, então? Tentaram amarrar as pontas e dar um desfecho satisfatório para a história. A intenção é boa, mas o resultado foi catastrófico. É claro que tentar cobrir um arco tão longo e tão cheio de informações fundamentais para o enredo em apenas dois episódios dificilmente iria resultar em algo sólido e conciso, e sendo sinceros, É MELHOR terem encurtado o arco do que encerrar o anime pela metade dele, deixando a história incompleta, sem final e mais confusa. Porém, é claro que eu preferiria ainda mais que o anime tivesse mais de 13 episódios para poder cobrir direito o mangá. Obviamente que os caras tinham essa noção, mas aí não acharam outra solução boa. Para conseguirem cobrir o clímax em apenas um episódio, as ações dos personagens e eventos são simplificadas ao máximo, além da ordem das ações e até personagens serem trocadas (sendo que em alguns momentos, personagens são trocados de “posição”. Exemplificando: Se no mangá personagem X faz tal coisa e Y não está lá, no anime trocaram os dois fazendo com que Y é quem realizasse a ação e X nem aparecesse).
 O cúmulo ainda vem quando tentaram preencher as partes originais para dar ligação aos buracos. Para terem uma noção do caos que é, vou ter de soltar um spoiler, então vocês já sabem o que fazer caso não queiram saber, não? [SPOILER] A luta final entre Mako e Neko, no mangá é bem no estilo Dragon Ball Z: Explode tudo, destrói parte da cidade, e tem vários poderes apocalípticos vindos dos dois lados. Mas no anime eles resumem tudo isso para um simples buraco negro sendo aberto pela Neko para matar Mako, sem nem se dar o luxo d efazer elas lutarem [FIM DO SPOILER] Resultado: Deram embasamento para as ações que ocorrem serem suprimidas, refletindo diretamente na fragilidade do argumento da história e motivação dos personagens. O conflito dramático dos personagens não convence, soa bruto e sem qualquer senso de densidade ou profundidade mínima. Dificilmente o telespectador consiga sentir tudo o que ocorre aos personagens neste episódio. Sem contar que inúmeras vezes personagens agiam de forma que não faz sentido algum, e isso não é só no último episódio, mas durante o anime inteiro!

Apesar disso, conseguimos captar bem a trama, por mais simplificada que seja: Pessoas querendo ser deuses, bruxas megalomaníacas e psicóticas, uma possível interferência alienígena na Terra no melhor estilo “Eram os Deuses Astronautas”... Ainda sim, faltou muito para que o anime conseguisse conquistar as pessoas e no geral, decepcionou os fãs.
Curioso o fato que para muitos a ideia de encerrar o anime no arco considerado por muitos como o melhor parecia uma boa ideia, mas no fim, se mostrou algo bem decepcionante. Culpa dos produtores que tiveram preguiça de fazer esse anime da forma que deveriam fazer. Aliás, isso se deve também ao fato que muitos personagens foram introduzidos tarde demais na trama. Ou seja: Se eles tivessem vindo amis cedo, a trama não estaria essa bagunça toda, com um começo lento e um final feito “às pressas”.
 A animação é boa. Não tem tanto 3D, mas ainda sim é boa. As cores em si são simples, mas isso não interfere na qualidade. O character design dos personagens é muito bonito, visto que o autor melhorou bastante seu traço nestes anos (compare o mangá de Elfen Lied com o mangá de Gokukoku e vejam a diferença). A dublagem é boa, conta com dubladores muito bons: Ryota Osaka (o Sadao Mao de Hataraku Maou-sama!) no papel de, vejam só, Ryouta!; Risa Taneda (Mirai de Kyoukai no Kanata) no papel de Kuroha; Aya Suzaki (a Mako de Kill la Kill) como Kana; Mao Ichimichi ou M.A.O (Mizuki de Samurai Flameco; apesar dela atuar mais como atriz) no papel de Kazumi; Azusa Todokoro (a Fino de Yusibu) como Kotori; Hiroki Tochi (Panther Lily de Fairy Tail) como Chisato; Mamiko Noto (a Ai de Jigoku Shoujo, e uma caralhada de personagens famosos que vou deixar para vocês pesquisarem) no papel de Mako,  e vários outros. A direção ficou por conta de Kenichi Imaizumi (Katekyo Hitman Reborn!) e os roteiros infelizmente caíram nas mãos de Yukinori Kitajima (Senran Kagura, Hamatora) que fez um dos seus piores trabalhos possíveis. O estúdio foi o ARMS (o mesmo de Elfen Lied, olha só). Ah, sobre a abertura, ela é uma música sem letra, bem no estilo Elfen Lied. Já o encerramento é cantado pelas dubladoras e eu sinceramente não gostei deste. 
Comentários Gerais

No geral, só pelo fato de ser do mesmo criador de Elfen Lied já seria suficiente para que Brynhildr fosse um dos animes mais esperados da temporada… se fosse há alguns anos atrás. Hoje a fórmula de Elfen Lied é considerada por muitos desgastada – e pra ajudar o traço do autor não ajudava muito, aind abem que melhorou. E para aqueles que esperavam um novo Elfen Lied, ou mesmo para os fãs do mangá, se decepcionaram feio. Nada ali funciona. É tudo um amontoado de tranqueiras, mistos de temas e personagens aleatórias, mal encaixadas no roteiro e que transformaram uma proposta bacana em um grande vazio.
Se eu recomendo? Sim e Não. A ideia é boa, achei bem lega a iniciativa. Mas estou falando da mídia. Se quiserem mesmo acompanhar a história, seja você fã ou não de Elfen Lied, recomendo que peguem o mangá. Não perca seu tempo com o anime. Aliás, acredito que para os otakus mais jovens, Gokukoku é uma boa iniciação a mente de Okamoto, antes de conhecerem Elfen Lied. Se você gostar do mangá (o manga, não o anime) então talvez você goste de Elfen Lied. Mas tem que ter consenso que no quesito violência e pornografia, perto de Elfen Lied, Gokukoku não é nada.  Se você é menor de 18 anos e/ou não está acostumado a ver muito sangue ou nudez, realmente recomendo que vá começar por Gokukoku. Aí depois você pode arriscar ou não o Elfen Lied. Depois escrevam pra mim o que acharam.
Aliás, eu notei semelhanças marcantes entre Elfen Lied e Gokukoku: A trama dos protagonistas se separando quando crianças e ressurgindo através de misteriosas situações perturbadoras e a relação deles é algo que parece característico de Okamoto. Aliás, até podemos dizer que Brynhildr, se tratando de seu mangá, consegue ser “uma versão melhorada de Elfen Lied”. O que também não quer dizer que a obra seja o “Sucessor de certos Shingekis ou SAOs”, mas que possui seus leitores tanto pela carga dramática como pelo tom de violência da mesma.
Ah, e só para deixar de bônus, encerrando com Tengen Elfen Lied. Já que citei tanto ele neste post, tenho de pelo menos dar os créditos.
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