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sábado, 13 de setembro de 2014

Analisando- Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário (2014)

Por Athena!

Por MIKA

Olhando para nossa volta, vemos o quanto a cultura dos mangás e dos animes cresceu. Graças a Internet, sucessos como SAO ou Shingeki chegaram até nós, ocidentais. E, para que tenhamos interesse e entendimento disso, foi preciso de um esforço das emissoras e editoras brasileiras para trazer estes produtos até nós. No início dos anos 90 chegava ao Brasil um anime que foi o principal percussor da cultura otaku no Ocidente e aquele que foi responsável pela formação do conceito que antes era desconhecido para os ocidentais. Sim, estou falando de Dragon Ball! Não, espera... Estou falando de Saint Seiya, ou como conhecemos, Cavaleiros do Zodíaco. Junto de DBZ, CDZ pode se considerar um dos animes mais importantes da infância dos anos 1990 (olha, ambos terminam com o “Z” no final!). A série foi um marco para as crianças daquele tempo, e 20 anos após sua chegada no Brasil, vemos seu sexto filme, A Lenda do Santuário, desembarcando no país pelas mãos da Diamond Films (a mesma responsável por trazer Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses). Este filme tem como missão resgatar a nostalgia dos adultos que forma crianças na década de 1980/1990 e ao mesmo tempo apresentar a série para a nova geração que talvez saiba até da importância de CDZ, mas nunca viu algum episódio para saber do que se trata.  E eu tive a chance de ver este filme. Como será que ele se saiu? Vale lembrar que este texto vai mais por minha opinião, por isso podem me criticar nos comentários e dizer sua opinião sobre o filme em questão. Ah, e este post pode conter spoilers do filme, então leiam por sua própria conta e risco.
Sinopse
16 anos atrás, um homem idoso chamado Mitsumasa Kido encontra em uma montanha do Himalaia um bebê perto de um corpo moribundo de um cavaleiro de ouro. O bebê, que é batizado de Saori Kido, é a reencarnação de Athenas, e quando chegasse ao 16º aniversário, cavaleiros iriam passar a protegê-la. Eis que chega o dia, quatro cavaleiros surgem: Seiya de Pégaso, Shiryu de Dragão, Hyoga de Cisne e Shun de Andrômeda (Ikki de Fênix surge mais tarde). Porém, uma falsa Athenas está no Santuário e muitos afirmam que Saori é a impostora. Para provarem que Saori é mesmo a reencarnação de Athenas, os Cavaleiros de Bronze precisam levar a garota até o Santuário, mas para isso terão de atravessar as 12 casas guardadas pelos Cavaleiros de Ouro, que possuem um poder próximo ao de um deus.
Considerações Técnicas
CDZ: Lenda do Santuário tenta duas proezas difíceis: Recontar uma das mais populares sagas de CDZ de uma forma nova, mesclando coisas da série clássica com o recente Ômega, e tentar resumir 73/74 episódios em 93 minutos. E ele consegue isso em partes: A trama começa de forma leve, com algumas explicações, com uma ou outra batalha, para lá mais para frente, começar a ficar um pouco corrido. Vimos batalhas nas casas de Áries, Touro, Câncer, Aquário, Escorpião, Capricórnio sendo bem resumidas (sim, não tivemos a casa de Peixes ou Sagitários). Certo, mas até aí tudo bem se não fossem os personagens: Alguns personagens foram remodelados de tal forma que ficaram meio que irreconhecíveis. Máscara da Morte é um exemplo. Ele era o cara cruel e sanguinário, que no filme virou uma piada total, o alívio cômico, totalmente transformado numa versão bizarra do pirata Jack Sparrow, com direito a número musical e muita vergonha alheia. Já Milos no filme é uma mulher (WTF?!), mesmo assim ainda conseguiu passar o bom e velho espírito de... Milos (?). E Afrodite? Ele não morre na batalha contra o Shun (que nem ocorre) ele é morto pelo Saga, nem aparece direito, quando aparece já morre! Seiya de Pégaso, o personagem principal, também serve como alívio cômico, sempre atrapalhado e fazendo piadas. Ele contrasta com o sério Hyoga de Cisne e o nerd Shiryu de Dragão (este sempre abusa dos detalhes nas suas explicações). Shun de Andrômeda, por outro lado, parece ter aceitado a polêmica de usar uma armadura rosa e com seios, de ser um personagem andrógeno e de sempre depender do irmão Ikki de Fênix (embora não seja explícito, seus movimentos, diálogos e gestos podem dar a entender que ele é gay). Mesmo assim, o humor no filme é razoável, você ainda consegue rir com algumas coisas, com as trapalhadas de Seiya, e isso achei bem legal.
E as lutas? Pois é, elas são poucas e rápidas, e ficam meio sem sentido. O objetivo do filme era dar foco a batalha do Santuário, mas as lutas não empolgam muito, no fim isso não funciona direito. Fica tipo “Pô, eles tem de passar pelas 12 casas, têm cavaleiros em cada casa, mas eles passam simplesmente, quase não lutam!”. Shaka contra Ikki, por exemplo, não existe. Ikki só aparece mais pra frente, e Shaka já é introduzido como o “bonzinho”. Vários momentos épicos e partes importantes que não deveriam ser deixadas de fora simplesmente foram deixados de lado.
 Frases como “Atheeeeeenaaaaaaaa!!!” ou “Me dê sua força, Pégasus!” que são clássicas do original não são pronunciadas. Nem “Pegasus Fantasy” é tocada, que era o que eu mais esperava, e o pior é que essa música toca no trailer, então eu esperava que no filme, pelo menos nos créditos finais tocassem. Isso dificultou o filme de tocar o coração dos fãs e trazer o sentimento de nostalgia. Todos os acontecimentos não trazem o impacto que o CDZ original apresentava. Ou seja: O filme pode até ter ficado de fácil entendimento, mas lhe falta uma das principais qualidades de CDZ: a emoção. Emoção essa que seria um dos principais pontos fortes do filme.

Além disso, pela forma como tudo ocorre, a nova geração pode não entender direito como as coisas funcionam. A apresentação dos personagens principais não foi ruim, mas ficou tipo um conto de fadas “Olha você é a princesa, somos os cavaleiros, devemos te proteger”. Aí ficam as dúvidas: O que eles ganham fazendo isso, por que tem de protegê-la. Eu até entendo o que eles querem fazer: A primeira parte do longa basicamente serve para sintetizar os acontecimentos que fizeram Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki se unir em torno de Athena, sem tocar em quase nenhum detalhe explorado no anime e no mangá, só para chegar ao Santuário. 
Mas o filme é ruim? Não é um todo ruim, só seu roteiro que é mal trabalhado. Em compensação, os cenários são lindos, a animação é perfeita. Num primeiro momento achei que estava vendo um filme do Final Fantasy, devido ao CG dos personagens ser o mesmo da franquia (a Saori ficou parecendo a Lightning fazendo cosplay de Athena). Dá para ver que o Santuário parece ter referências a Final Fantasy, as cenas pareciam ter sido retiradas dos jogos da franquia...
 E as armaduras então? Foram totalmente remodeladas, ficaram bem mais detalhadas. Seus elmos abrem e fecham para proteger os rostos dos cavaleiros como se fossem Transformers. Ao usarem o Cosmo há efeitos de neon para iluminar o traje. A vestimenta "avisa" que o herói está pronto para a batalha. E ainda elas estão mais "práticas" que as antigas (não precisam mais ser carregadas nas costas em caixas enormes e visivelmente desconfortáveis, elas ficam dentro de pingentes com os quais os cavaleiros invocam as armaduras). A principio causam estranheza, mas depois você se acostuma com aquele novo visual que foge do original, e por isso muitos não gostaram, mas depois elas passam uma sensação mais confortante, em cenas espetaculares.

Os golpes são a melhor parte. Embora as lutas sejam ruins, os golpes tipo Cólera do Dragão e Corrente de Andrômeda ficaram espetaculares, algo que eu nunca tinha visto antes. O Meteoro de Pégaso bem representado por meteoros e bolas de energia. O Cólera do Dragão de Shiryu mostra um dragão gigante que preenche a tela. Nossa, foi um belo espetáculo.
Porém, o principal ponto forte do filme é a dublagem. Só de ouvir a voz de Hermes Baroli (Seiya), Letícia Quinto (Saori) e outros dubladores, já causa certa emoção. A Diamond Films fez um excelente trabalho, tal qual tinha feito com Dragon Ball Z- A Batalha dos Deuses.
Comentários Gerais
Lenda do Santuário caiu aquele estranho limbo dos reboots que tentam, ao mesmo tempo, alcançar um público novo e agradar os fãs já existentes, mas não conseguem nenhum dos dois objetivos com êxito, mesmo assim ainda possuem algumas coisas para agradar uma pequena parcela dos fãs. A direção de Keiichi Sato é duvidosa, mas não totalmente ruim. Eu gostei do filme, não é “o melhor filme do mundo”, mas ainda consegue ser bem divertido. Eu tinha ido ver com dois amigos, um gostou pra caramba, outro achou mais ou menos (ele ficou mesmo é puto pelo fato do Shiryu, além de não estar cego, não ter usado o último Dragão). Ou seja, dependendo do seu gosto, o filme pode ser ruim, mediano ou bom. N fim, o filme se resumi a uma coisa: Ele tem potencial para divertir, mas no fim da sessão deixa um gostinho de “poderia ter sido melhor”.
Se você é fã ardoroso, vai ter que manter a cabeça aberta para aceitar o que mudou. A mensagem principal do desenho - confie em seus amigos, nunca desista -, ainda está intacta. Só prepare-se para vê-la de um jeito bem diferente do que você está acostumado. De qualquer forma, ainda serviu para revitalizar um público que nunca morre no Brasil, de uma das franquias mais queridas e rentáveis em nosso solo.
Trailer do filme: 

E SÓ PARA RELEMBRAR OS VELHOS TEMPOS, DUAS BELÍSSIMAS IMAGENS:


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