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sábado, 12 de abril de 2014

Batman: 75 anos do Cavaleiro das Trevas

I'm Batman!

Por MIKA

Em 2013, o herói Superman fez 75 anos. Infelizmente, nós não pudermos fazer um especial de aniversário para ele. Em compensação, estamos fazendo um especial para o Batman. Olha, eu particularmente sou um grande fã do Homem-Morcego, e fazer este especial é uma grande honra. Neste especial, iremos relembrar um pouco da fascinante trajetória do herói que há 75 anos vem combatendo o crime pelas ruas de Gotham.
 Batman foi criado pelo roteirista Bill Finger e pelo desenhista Bob Kane (mesmo este último tendo levado mais os créditos, e ter admitido a ajuda de Finger após a morte do mesmo). O herói deu as caras pela primeira vez na Detective Comics #27 , de maio de 1939, em uma história chamada "The Case of the Chemical Syndicate". A origem do herói começou no final de 1938, quando Vin Sullivan, um funcionário da editora National Periodical Publications (uma editora que se fundiria com a editora All American Comics, formando a base da atual DC Comics) contratou Bob Kane e outras pessoas para criarem um herói com a mesma pegada do primeiro super-herói dos quadrinhos, o Superman (que na época fazia um sucesso tremendo). Fã da cultura vampiresca, especialmente das histórias ligadas ao personagem conhecido como Drácula, Kane imaginou um herói baseado no mesmo, com roupas negras. Porém é amplamente aceito que o escritor Bill Finger foi tão decisivo na formação de pontos chaves do mito. Afinal, foi Finger que deu ao personagem o formato que o consagrou.  
A criação do Batman é algo meio polêmico: Ainda concorrem com Kane e Finger, o desenhista Frank Foster II, artista ligado a indústria de publicações de Nova Iorque na Década de 1930, uma vez que ele apresentou publicamente desenhos de um personagem chamado Batman, esteticamente muito similar ao personagem em discussão. Tais desenhos, anteriores a 1939, foram considerados autênticos pela DC Comics. Hoje, Kane e Finger são quem são creditados pela criação do personagem (mesmo no caso de Finger ter demorado mais). A ideia de um herói sem poderes veio de Kane, mas foi Finger quem moldou sua personalidade. Como naquela época os quadrinhos eram voltados mais para crianças, o herói não era tão sombrio como conhecemos hoje. É na edição 28 da Detective Comics, de abril de 1940, que tivemos a introdução do Robin, o parceiro mirim do Batman (e é aí que começa a fama que ele é gay). A ideia de introduzir o Robin veio de Bill Finger. Ao escrever os roteiros, Finger começou a achar que um formato em que lemos os pensamentos do herói se desgastava rapidamente, e sugeriu um parceiro para que o Batman tivesse com quem conversar e desenvolver seus raciocínios. Ele e Kane fizeram o Robin um garoto para que a molecada se identifique com ele e embarcasse na história (depois dessa, vários heróis começaram a ganhar parceiros mirins). As vendas dobram com a novidade. Poucos dias depois, surge um novo título do super-herói, Batman, trazendo dois novos personagens, Coringa e Mulher-Gato (abril de 1940).
No início de 1941, Batman e Robin juntam-se ao Superman e Zatara na nova HQ World's Best Comics, com histórias de vários personagens. Artistas como Jerry Robinson e Dick Sprang trabalham com os heróis na época. Em 1943, apenas quatro anos após ter surgido nas HQs, o Homem-Morcego debutava também nas telas em um seriado de 15 capítulos, batizado como “O Morcego”, dirigido por Lambert Hillyer e produzido pela Columbia PicturesUma coisa interessante: Por conta da Segunda Guerra Mundial, a indústria dos quadrinhos sofreu uma queda. Batman, Superman, Mulher-Maravilha e Capitão Marvel (hoje, conhecido como Shazam) foram um dos poucos heróis que ainda conseguiram levantar as vendas das HQs. Em uma história de julho de 1952, chamada "The Mightiest Team in the World", publicada em Superman 76, Batman trabalha pela primeira vez ao lado do Superman como uma dupla. Os heróis descobrem suas identidades secretas e iniciam uma parceria de décadas, tornando-se conhecidos como "Os Melhores do Mundo". É daí que a rivalidade entre eles começa.

Em 1954, o mundo dos quadrinhos teve outro back: O psiquiatra germano-americano Fredric Werthan publica o livro Seduction of the Innocent, sugerindo que quadrinhos violentos são a causa da delinquência juvenil. Em reação a isso, surgiu a Comics Code Authority, que era uma forma de autocensura para eliminar os conteúdos violentos. Pronto, se fez a merda! O herói nem podia dar um soco de leve no vilão que já pegava mal. Nessa época, tivemos a introdução da Batwoman em 1956, para abafar o caso do Batman ser gay (mesmo assim, a acusação permanece até hoje). 
Por conta das baixas vendas, em maio de 1964 o personagem foi reformulado pelo artista Carmine Infantino e o editor Julius Schwartz, que dão novo visual ao personagem. Daí surgiu a famosa elipse amarela no peito. Aqui, volta as histórias de detetive. Em 1966, com a estreia da série de televisão do Batman , interpretado por Adam West, bem-humorada e colorida, o personagem ganha nova popularidade, fazendo com que o tom e personagens da TV sejam inseridos nos quadrinhos.
 Até tentaram, ao longo da história, fazer a venda do Batman subir, mas não dava resultados. Steve Englehart e Marshall Rogers assumem a Detective Comics em agosto de 1977. O trabalho da dupla inspirou o filme Batman (1989) e Batman - A Série Animada (1992). Apesar da qualidade do trabalho, as vendas continuam caindo. As vendas melhoraram quando Frank Miller revolucionou os quadrinhos ao apresentar um Batman de meia-idade que precisa voltar a combater o crime na minissérie de quatro capítulos O Cavaleiro das Trevas.
O aclamado arco Batman: Ano Um é publicado em fevereiro de 1987 por Frank Miller e David Mazzucchelli, e isso tudo após a Crise nas Infinitas Terras, o primeiro de muitos reboolts da DC. Aqui, as coisas começam a ficarem mais sombrias.  A Piada Mortal, de Alan Moore e Brian Bolland, publicada em 1988, já mostra um tom mais adulto. Em 1983, Gerry Conway e Don Newton criam o segundo Robin, Jason Todd, vira alvo de uma estratégia de marketing inusitada da DC em 1988: um número de telefone é criado para que os leitores decidam se ele deve ou não morrer. Na HQ "Morte na Família", Jason morre pelas mãos do Coringa. Em 1989, Tim Burton dirige Batman, com Michael Keaton e Jack Nicholson. Sucesso, o filme ganharia três continuações (Batman: O Retorno, Batman Eternamente e Batman e Robin), que não obtiveram o mesmo retorno. O filme Batman e Robin, por exemplo, foi uma bomba total, um dos piores filmes de super-heróis já feitos. Com o interesse pelo filme, uma nova HQ do herói - primeiro título inédito em quase 50 anos -, Legends of the Dark Knight, por Dennis O'Neil e Ed Hannigan, vende perto de 1 milhão de exemplares.
Em 1992, Batman - A Série Animada chega com enorme sucesso! Muitos consideram esta versão uma das melhores já criadas para o herói. E foi em 1993 que tivemos A Queda do Morcego, uma saga em que o herói é derrotado por um novo vilão, Bane, e substituído por Jean-Paul Valley, o Azrael. Em 1998, os arcos Terremoto e Terra de Ninguém marcam o fim de uma era, com a saída de Dennis O'Neil do cargo de editor. No final da década de 1990 são lançadas duas minisséries antológicas: Batman: O Longo Dia das Bruxas e Batman: Vitória Sombria. As HQs mostram o herói em seus primeiros dias como combatente do crime contra seus grandes oponentes (Loeb voltaria em 2008 a trabalhar com o personagem, ao lado de Jim Lee, no arco de histórias Silêncio). 

O roteirista Grant Morrison (que havia trabalhado com o herói na graphic novel Asilo Arkham) assumiu o título Batman em 2006, trazendo de volta temas dos anos 1950, como a ficção científica, e personagens esquecidos. O autor chegou até a matar o Homem-Morcego (!) em Batman: R.I.P.. O herói retorna claro, e ele cria Corporação Batman, com uma organização de Cavaleiros das Trevas globais, combatendo o crime mundialmente. Agora, eram mais morcegos para atazanar a vida dos criminosos.
E finalmente, chegamos ao grande trunfo: O deus louva-deus Christopher Nolan assume a direção dos filmes do Batman e cria uma estupenda trilogia, cobrindo os filmes Batman Begins (2005), Batman- O Cavaleiro das Trevas (2008) e Batman- O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012). O segundo filme pode se considerar o melhor dos três, dando destaque para a fodástica atuação de Heath Ledger como Coringa, que é de deixar qualquer um com orgasmos.
E também temos neste período a série de games Batman: Arkham, considerada uma das melhores franquias de games já feitas. Ela é produzida pela Rocksteady Studios e distribuída pela Warner Games. Até agora é composta por três jogos: Arkham Asylum (2009), Arkham City (2011) e Arkham Origins (2013). Um novo jogo, Arkham Knight, deve sair em 2014, e segundo a Rocksteady Studios, se passará depois de Arkham City e será o último capítulo da franquia (mas do jeito que vende, eu duvido que eles parem por ai).
O personagem, enfim, teve uma carreira de altos e baixos ao longo de quase uma década. Ele com certeza não será esquecido tão facilmente. É um herói que revolucionou por combater o crime sem precisar de superpoderes, o que faz dele (na minha opinião) mais foda que o Superman. Ele não precisa de poderes para ser um herói. Com certeza, o Batman deixou um legado para nós, fãs. Por isso, parabéns Batman pelos seus 75 anos. E que venham mais 75 anos pela frente combatendo o crime!
E só pra fechar, os temas de todos os três filmes do Batman de Christopher Nolan.


E outra: O Coringa do Heath Ledger era divino! O melhor Coringa que já vi!

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